HGI Capital

Nota 6.0/10 — RAZOÁVEL

HGI Capital tem 1 fundo analisado (DAMA11). Nota média 6.0/10 (RAZOÁVEL).

A HGI Capital — razão social High Gestão e Investimentos LTDA, CNPJ 08.647.754/0001-40 — é uma gestora imobiliária autorizada pela CVM (Ato Declaratório nº 17.504, de 05/11/2019), sediada em Goiânia-GO. Pertence ao grupo HIGHPAR, holding que reúne HIGH Asset Management, HIGH Wealth Management, HIGH Capital Markets Advisory, HIGH Real Estate Consulting e HIGH YUNO Advisory (seguros), entre outras verticais. O AUM total estimado em 2026 é de aproximadamente R$ 96 milhões, distribuídos entre dois fundos: HGIC11 (~R$ 51,7 Mi) e DAMA11 (~R$ 44 Mi). Trata-se de uma casa boutique com foco regional e perfil imobiliário diversificado — de CRIs a FoF — operando fora do eixo Rio-SP.

Track record e governança

O sócio fundador, Rodrigo Meirelles, é engenheiro civil pela PUC-GO com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário, participação em mais de 70 lançamentos, e certificações em Future of Real Estate (Oxford) e Corporate Governance (Columbia Business School). A equipe conta com profissionais com certificações CGE e CNPI e pós-graduação em finanças pelo Insper — credenciais acima do esperado para uma gestora de porte regional.

A HGI Capital gere o HGIC11 desde sua criação em 18/12/2020 (administrador Vórtx DTVM; auditor Grant Thornton), o que representa o track record mais longo e verificável da casa. O fundo acumula +14,60% nos últimos 12 meses até abr/2026, com DY médio de ~1,24% ao mês e PL de ~R$ 51,7 Mi. Já o DAMA11 foi incorporado ao portfólio somente em 23/06/2025 (ID CVM 954444), substituindo a gestora original — portanto, com menos de 12 meses de gestão ativa pela HGI Capital. Nesse período curto, o fundo acumulou +11,00% vs IFIX +9,34%, um alpha de 1,66 p.p., considerado modesto mas positivo para o horizonte de tempo. O DAMA11 tem BTG Pactual Serviços Financeiros S/A DTVM como administrador. A gestora é ainda regulada pela ANBIMA, CRECI e SUSEP, e é signatária do PRI (Principles for Responsible Investment).

Estratégia e fundos sob gestão

A HGI Capital opera em dois vetores complementares do mercado imobiliário:

  • HGIC11 (crédito imobiliário direto): alocação predominante em CRIs (40,83%), imóveis reais (25,26%) e outros ativos (33,90%). Taxa de gestão de 1,00% a.a. com performance de 20% acima de IPCA+5% a.a. Estratégia de renda — DY consistente em torno de 1,24%/mês, com desempenho de +14,60% nos últimos 12 meses, mas -2,51% no acumulado de 2026, sugerindo alguma sensibilidade ao ciclo de abertura de spreads ou marcação a mercado.
  • DAMA11 (FoF microfundo): carteira concentrada em FIIs de papel/crédito imobiliário (~60% do PL). PL de R$ 44 Mi, apenas 868 cotistas, P/VP de 0,824 e DY de 10,33%. Posições relevantes em ARRI11 e OPEN K representam ~26,8% do PL — concentração que amplifica o risco idiossincrático. A tese de desconto (13% sobre o VP) e a exposição ao ciclo de queda da Selic são os principais argumentos positivos.

Os dois fundos formam uma oferta modesta mas coerente: crédito imobiliário direto (HGIC11) e exposição via FoF (DAMA11), ambos com perfil defensivo, voltados ao ambiente de juros altos em processo de normalização. A HGI Capital não atua em FIIs de tijolo, fundos de desenvolvimento ou ativos internacionais — foco claro, mas também limitação de oferta para o investidor que busca diversificação de segmento com a mesma gestora.

Pontos fortes e de atenção

  • Grupo estruturado: a HIGHPAR reúne múltiplas verticais (gestão, wealth, advisory, real estate, seguros), o que sugere suporte institucional e expertise multidisciplinar além da gestão de fundos.
  • Liderança com credenciais sólidas: Rodrigo Meirelles combina trajetória prática no imobiliário com formação executiva de ponta (Oxford, Columbia), incomum para gestoras regionais de pequeno porte.
  • Track record verificável no HGIC11: mais de 5 anos de histórico desde dez/2020, auditado pela Grant Thornton, com resultado acumulado positivo e DY consistente — base factual para avaliar a competência da equipe.
  • Custo de entrada atrativo no DAMA11: P/VP de 0,824 oferece margem de segurança para quem acredita na convergência ao VP no médio prazo.
  • AUM total pequeno (~R$ 96 Mi): escala insuficiente para diluir custos fixos com eficiência — a taxa mínima de administração do DAMA11 pesa proporcionalmente mais num fundo de R$ 44 Mi.
  • Gestora fora do eixo Rio-SP: o ecossistema financeiro de Goiânia é mais limitado em deal flow institucional, acesso a originadores de CRI de primeira linha e visibilidade junto a investidores institucionais.
  • Track record curto no DAMA11: menos de 12 meses de gestão efetiva — insuficiente para avaliar consistência em cenários adversos. A performance de +11% pode refletir o ciclo favorável mais do que a competência da gestora.
  • Concentração no DAMA11: ARRI11 e OPEN K somam ~26,8% do PL — qualquer deterioração nessas posições impacta diretamente a cota do fundo.
  • Liquidez ínfima no DAMA11: 868 cotistas torna a saída difícil em caso de necessidade; spread bid-ask pode ser elevado em momentos de stress.

Para qual investidor faz sentido

A HGI Capital como gestora faz sentido para investidores com perfil moderado a arrojado, dispostos a aceitar iliquidez e concentração em troca de desconto e yield acima da média. O HGIC11 é o produto mais maduro da casa e se encaixa melhor para quem quer exposição direta a crédito imobiliário com histórico auditável — mas deve verificar o desempenho negativo de 2026 (-2,51%) antes de aportar. O DAMA11 é voltado ao especulador tático que vê valor no desconto sobre VP e aposta na queda da Selic, aceitando o risco de liquidez e o track record curto da nova gestão.

O que vigiar: evolução do PL dos dois fundos (indicador de captação e confiança do mercado), normalização do P/VP do DAMA11, transparência dos relatórios gerenciais mensais e qualquer comunicado de reestruturação de carteira ou troca de administrador. A HGI Capital ainda está construindo reputação no mercado de fundos listados — o próximo ano será decisivo para comprovar consistência além do ciclo favorável de 2025.

Segmentos de atuação: FoF (Fundo de Fundos)

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