FG

Nota 5.8/10 — REGULAR

FG tem 1 fundo analisado (FGAA11). Nota média 5.8/10 (REGULAR).

A FG/A Gestora de Recursos é uma gestora independente sediada em Ribeirão Preto (SP), com escritório em São Paulo (Itaim Bibi), fundada em 2005 como FG/AGRO e reposicionada para o nome atual em 2016. Autorizada pela CVM desde 2011 (CNPJ 11.998.171/0001-78), a casa acumula mais de duas décadas de atuação exclusiva no agronegócio brasileiro, tendo estruturado ao longo da sua história mais de R$ 21–30 bilhões em operações (CRAs, CPRs, CDCAs e M&A agroindustrial). Seu único veículo de gestão ativo é o FGAA11 — o FG/Agro FIAGRO —, com patrimônio líquido em torno de R$ 425 milhões e mais de 52 mil cotistas, posicionando a FG/A entre as gestoras especializadas de nicho do segmento FIAGRO de crédito corporativo. A gestão é liderada pelo CEO Gustavo Correa (31 anos de mercado), Juliano Merlotto (VP, desde 2001 em project finance agroindustrial) e diretor responsável João Henrique de Lima Rissi, com 17 sócios ao total.

Track record e governança

O histórico da FG/A é construído sobre assessoria corporativa ao setor sucroenergético — um nicho com barreiras de entrada relevantes, dado o ciclo longo de cana-de-açúcar e a complexidade tributária e regulatória das usinas. A principal tese de valor da gestora é originação própria: 83–84% dos ativos do FGAA11 são estruturados internamente, não comprados de terceiros, o que dá controle sobre precificação, covenants e monitoramento. A carteira manteve 100% de adimplência em fluxo desde o IPO (jan/2022), com nenhum evento de default efetivo registrado. A estratégia de antecipar melhorias de rating — comprando CRAs com spreads elevados e se beneficiando da compressão quando agências reconhecem a melhora — foi validada em casos como Sonora (rating A pela S&P) e Uisa (antiga Usinas Itamaraty, rating A- pela S&P).

Na estrutura de governança, o administrador é a BRL Trust DTVM (grupo Apex), o auditor externo é a BDO RCS Auditores — que emitiu ressalva contábil no demonstrativo de 2024/25 sobre 5 CRAs da Virgo (≈16% do PL), questionando a mensuração de fair value desses ativos. A ressalva estava não-resolvida até o fechamento de março/2026 e é o principal ruído de governança da gestora no momento. A troca de diretor responsável ocorrida em setembro/2024 (assumiu Marcelo Vieira Francisco, com passagem por Kanastra e Santander) trouxe certa renovação da equipe de compliance e risco.

Estratégia e fundos sob gestão

A FG/A opera com foco único: crédito corporativo agroindustrial, predominantemente CDI+ via CRAs e CPRs. O FGAA11 fecha março/2026 com 16–17 devedores corporativos, PL de ~R$ 425 Mi, duration média de ~1,99 ano e spread médio de CDI+3,8% ao ano (taxa de aquisição). A composição é 75–80% CRAs, 16–19% CPRs Financeiras e 3–4% CRI. O setor sucroenergético concentra 55–57% da carteira, com diversificação setorial em transportes (~9%), alimentos (~7%), fertilizantes (~7%) e agtechs (~6%). Geograficamente, SP domina com 45%, seguida de MG (17%) e GO (14%).

Um evento relevante em 2025 foi o anúncio de um programa de amortização de até 7,4% do PL (~R$ 32,4 Mi), pago mensalmente junto aos dividendos, como mecanismo de redução do desconto das cotas na B3 — sinalizando que a gestora reconhece o desconto frente ao VP e toma ação ativa. A recompra de cotas (até 10% em 12 meses) é complementar. A XP manteve recomendação de COMPRA em março/2026, e o fundo entregou DY de ~15,9% a.a. isento (~130% do CDI tributável bruto).

Pontos fortes e de atenção

  • Especialização profunda em crédito sucroenergético — 21+ anos de relacionamento com usineiros, banco de dados proprietário de crédito, capacidade de originar e estruturar ativos que poucos gestores conseguem acessar diretamente.
  • Originação própria de ~84% da carteira — controle real sobre qualidade, spread e covenants, diferenciando a gestora de veículos que apenas agregam CRAs do mercado secundário.
  • 100% de adimplência em fluxo desde o IPO, com carteira 100% CDI+ e reserva de lucros crescente; dividendo isento consistente acima de 15% a.a.
  • Gestão ativa de P/VP — programa de amortização + recompra de cotas demonstra comprometimento com retorno ao cotista, não apenas maximização de PL.
  • Ressalva contábil da BDO RCS nos CRAs Virgo (~16% do PL) — risco não-resolvido de marcação incorreta de ativos; até ser esclarecida, introduz incerteza real sobre o VP justo do fundo.
  • Concentração setorial: 55% em sucroenergético — o setor é sensível a safras, preços de açúcar/etanol no mercado internacional e ciclos de crédito agrícola; uma seca severa ou queda do açúcar pode pressionar múltiplos devedores simultaneamente.
  • 55% da carteira sem rating público e duration curta (~2 anos): exige reinvestimento constante, com risco de compressão de spread em ambiente de queda do CDI.
  • Casa monotemática — toda a receita da gestora depende do FGAA11; não há diversificação de estratégia ou produto que absorva choques operacionais ou de mercado.

Para qual investidor faz sentido

A FG/A e o FGAA11 fazem sentido para o investidor que busca renda isenta consistente acima de 130% do CDI bruto, aceita exposição concentrada no agronegócio brasileiro e está confortável com ativos sem liquidez diária de mercado secundário. O fundo é adequado a perfis moderados a moderado-arrojados como componente de renda variável/crédito privado, não como âncora do portfólio. O ponto de atenção crítico — a ressalva da BDO sobre os CRAs Virgo — deve ser monitorado: resolução positiva (regularização contábil) pode ser catalisador de valorização das cotas; resolução negativa (perda efetiva) representa risco de baixo duplo dígito no VP. Quem já é cotista deve vigiar os relatórios mensais e o parecer do auditor na próxima assembleia; quem está avaliando entrada encontra P/VP ~0,93 como margem de segurança, mas precifica risco real de qualidade de carteira, não desconto injustificado.

Segmentos de atuação: FIAGRO — Crédito (CRAs sucroenergéticos)

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