Recomendação: MANTER · Nota 6,2/10
Atenção: o CRA Agrofito (3% da carteira) entrou em reestruturação em jun/2026 — sem caixa até 2032, primeiro evento de estresse na história do fundo. A troca de administrador para QORE DTVM está suspensa por investigação da CVM no ecossistema Banco Master; o fundo opera normalmente.
O DCRA11 empresta dinheiro para o agronegócio via CRAs (papéis de dívida do campo, isentos de IR para PF) e repassa os juros mensalmente. A Devant Asset gere o fundo desde 2022 com relatórios mensais completos e zero inadimplência até o Agrofito. O dividendo de R$ 0,09/cota é sustentável (reserva de R$ 0,12/cota + caixa de R$ 22 Mi), mas caiu de R$ 0,13 em 2022 e tende a recuar mais se a Selic baixar — 82% da carteira segue o CDI (juro básico). A cota a R$ 6,27 está 36% abaixo do patrimônio por cota de R$ 9,86 — você paga R$ 64 por cada R$ 100 de ativo do fundo. Serve para o investidor PF que aceita liquidez baixa (~R$ 65 mil/dia) e renda em queda lenta em troca de crédito agro de qualidade a desconto. Não serve para quem precisa de saída rápida ou quer renda crescente. Veredicto: MANTER — o desconto real de 36% é a margem de segurança; o dividendo vai continuar caindo com os juros.
A tese do DCRA11 hoje gira em torno de três fatores: (i) carteira 100% adimplente desde o IPO, fato raro em Fiagros de papel no ciclo agro 2024-2025; (ii) desconto profundo — cota a P/VP 0,71 (29% abaixo do VP de R$ 9,80), oferecendo margem de segurança real; e (iii) DY 12m de 15,25% isento de IR para PF, com carteira diversificada em 20 ativos.
O contraponto é de intensidade média: PL pequeno (R$ 66 Mi) que limita escala, concentração em revenda de insumos em um setor sob pressão, exposição majoritária ao CDI (DPS nominal cai na queda de Selic) e liquidez modesta. Diferente de Fiagros pares com inadimplência ativa, o DCRA11 não carrega evento de crédito conhecido — o risco é prospectivo (qualidade da originação em setor difícil), não atual. Para o investidor, o DCRA11 é uma aposta no carrego de uma carteira saudável comprada com 29% de desconto: oferece prêmio razoável e margem, mas exige tolerância à volatilidade de marcação e ao DPS em tendência de baixa.
Nossa leitura do DCRA11 hoje é MANTER, com nota 6,2/10. Essa nota não é do gestor nem do administrador: é a avaliação editorial do Rico aos Poucos, feita a partir dos documentos que o fundo publica na CVM. Abaixo está o que sustenta essa posição — e o que a contraria.
Devant com zero default desde o IPO (2022), mas PL pequeno (R$ 66 Mi) limita diluição de perdas e liquidez é modesta (~R$ 65-70 mil/dia). CRA Agrofito em reestruturação sem caixa em 2026 e carteira 82% CDI seguram a nota logo abaixo da mediana.
Segurança em FII não é sim ou não — é o tamanho do risco que você aceita. O DCRA11 tem perfil de risco medio. O que isso significa na prática:
| Componente | Nível |
|---|---|
| Concentração | 2,5 |
| Volatilidade do preço | 3,5 |
| Volatilidade do dividendo | 2,5 |
| Liquidez | 4,0 |
| Risco do ativo subjacente (crédito) | 3,0 |
| Risco financeiro/governança | 2,5 |
81,8% do portfólio em pós-fixado (CDI+/% CDI) e pré deixa o fundo dependente de Selic alta. Em ciclo de queda forte, o DPS nominal pode cair de R$ 0,09 para R$ 0,08 ou menos.
15% em revenda/cadeia de insumos agrícolas — setor com histórico recente de estresse (Lavoro, Agrogalaxy, Belagrícola). Os nomes do DCRA11 estão adimplentes, mas novo evento setorial poderia pressionar marcação.
13,4% do PL em cotas de outros Fiagros (RURA11, RZAG11, AAZQ11, EGAF11) adiciona uma segunda camada de taxas e expõe o cotista à marcação dessas cotas, que negociam com desconto sobre seus VPs.
8,3% do portfólio em CRAs sem garantia real (Marfrig 3,8% + Minerva 4,5%). São corporativos grandes, mas em stress a recuperação depende só do fluxo de caixa — não há ativo específico para executar.
Volume de ~R$ 65-70 mil/dia é baixo para fundo com 14,5 mil cotistas. Em janela de pânico, sair com R$ 100 mil pode levar dias e custar spread relevante.
| Cenário | Descrição |
|---|---|
| favoravel | Estabilização macro e manutenção da adimplência fazem o P/VP comprimir de 0,71 para 0,85-0,90. Cota sobe para R$ 8,30-8,80 (+20-26%) mesmo com DPS estável em R$ 0,09. Retorno total elevado pelo ganho de capital + dividendos. |
| favoravel | Carteira segue 100% adimplente, gestão aloca o caixa (18,7%) em CRAs novos com spread atrativo, DPS se mantém em R$ 0,09-0,10. Cota oscila R$ 7,00-7,50. Investidor captura ~15% de DY isento com baixa volatilidade. |
| desfavoravel | Selic recua abaixo de 11% e o DPS nominal cai para R$ 0,08 por aritmética do CDI+. DY recua para ~13%. Cota lateraliza em R$ 6,80-7,20. Carrego ainda positivo, mas menor. |
| desfavoravel | Uma revenda de insumos ou cooperativa entre os 20 ativos entra em estresse. Primeira inadimplência da história do fundo força stop accrual e marcação. DPS cai para R$ 0,07-0,08 e cota recua para R$ 6,00-6,50. |
O DCRA11 (Devant FIAGRO) encerra abr/2026 com PL de R$ 66,06 milhões, 14.508 cotistas, 67,8% do patrimônio alocado em 16 CRAs e 4 cotas de Fiagros (RURA11, RZAG11, AAZQ11, EGAF11) e ~18,7% em caixa (LFT + RF, com R$ 10 milhões alocados em LFT em abril). A distribuição mensal está estável em R$ 0,09, com DY 12m de 15,25% (~135% do CDI no gross up de IR para PF). A carteira é diversificada — sucroalcooleiro (16,7%), revenda/cadeia de insumos (15%), Fiagros (13,4%), logística/locação (11,5%), etanol (10,1%), alimentício (8,4%), cooperativa (3,1%) e fertilizantes (3%) — por múltiplos estados e indexadores (42% CDI+3,9%, 18,6% IPCA+8,33%). O resultado líquido de 2025 foi de R$ 8,80 milhões (R$ 1,3059/cota), +9,6% vs R$ 8,03 milhões em 2024, com a reserva de lucros chegando a R$ 0,121/cota.
O quadro positivo é o destaque do fundo. Primeiro, a carteira está 100% adimplente desde o IPO em janeiro de 2022 — fato raro em Fiagros de papel que atravessaram o ciclo agro difícil de 2024-2025, quando várias revendas de insumos quebraram no Brasil. Segundo, a estabilidade institucional é exemplar: mesmo ticker, mesma gestora (Devant Asset) e mesma estrutura de taxas (1,00% a.a., sem mínimo fixo distorcivo) desde a estreia. Terceiro, e talvez o mais relevante para o investidor hoje, a cota a R$ 6,99 negocia a apenas 0,71x o valor patrimonial de R$ 9,80 — um desconto de 29% que está entre os maiores do segmento e que, no caso do DCRA11, não se justifica por risco de crédito, mas por porte pequeno e liquidez modesta.
Os pontos de atenção são de intensidade média e prospectivos, não atuais. O PL de R$ 66 milhões limita a escala de diligência e diluição de eventuais perdas; cerca de 15% da carteira está em revenda de insumos, setor que segue sob pressão; 8,3% está em CRAs quirografários (Marfrig + Minerva) sem garantia real; e ~82% do portfólio é pós-fixado, o que comprime o DPS nominal na queda da Selic — o rendimento já recuou de R$ 0,13 (2022-2023) para R$ 0,09 estável. A camada de Fiagros (13,4%) adiciona diversificação mas também uma segunda camada de taxas. Para o investidor, o DCRA11 é uma tese de carrego com margem de segurança: oferece DY de ~15% isento e uma carteira saudável comprada com 29% de desconto, com potencial adicional de ganho via fechamento do P/VP em direção à mediana dos pares (0,92x). Exige tolerância à liquidez baixa e ao DPS em tendência de queda lenta, mas o risco de crédito conhecido é zero — o que diferencia o DCRA11 de boa parte dos Fiagros de papel pares.
Recomendação atual: MANTER. Nota 6,2/10. Atenção: o CRA Agrofito (3% da carteira) entrou em reestruturação em jun/2026 — sem caixa até 2032, primeiro evento de estresse na história do fundo. A troca de administrador para QORE DTVM está suspensa por investigação da CVM no ecossistema Banco Master; o fundo opera…
Nossa leitura atual do DCRA11 é “MANTER”. Nota 6,2/10. Avalie conforme seu perfil de risco e os pontos de atenção listados acima.
Os principais pontos de atenção do Devant FIAGRO - Imobiliário de Responsabilidade Limitada incluem: PL pequeno (R$ 66 Mi) limita escala e diluição de perdas; CRA Agrofito em reestruturação — sem pagamentos de caixa em 2026; Concentração em revenda de insumos — setor agro em estresse; Exposição majoritária ao CDI — vulnerável à queda de Selic.
O DCRA11 é indicado para: Investidores que buscam carrego de crédito agro com qualidade de carteira e aceitam comprar a P/VP descontado apostando no fechamento do desconto Perfis isentos (PF) que querem DY de ~15% ao ano com isenção de IR e diversificação setorial no agro Quem valoriza gestão ativa e transparente (RG mensal com DRE) e histórico de zero…