Nota 5.5/10 — REGULAR
Iguana Investimentos tem 1 fundo analisado (XLPR11). Nota média 5.5/10 (REGULAR).
A Iguana Investimentos Ltda., conhecida comercialmente como Iggy Investimentos, é uma gestora independente paulistana fundada em junho de 2009, com sede no bairro de Pinheiros, em São Paulo (CNPJ 10.924.308/0001-87). Especializada em ativos alternativos — predominantemente FIDCs, FIPs e FIIs —, a casa acumula aproximadamente R$ 695 a 725 milhões em ativos sob gestão distribuídos em 70 fundos (41 operacionais). O maior veículo individual é o Salento FIDC, com R$ 238 milhões de patrimônio líquido, o que revela claramente a vocação creditícia da gestora. A estrutura societária reúne Ana Paula de Oliveira, Cláudio Silva Fernandes, Fabiana Valéria dos Santos, Manuel Roberto Bravo Caldeira, além das pessoas jurídicas Iguana Associados Serviços Administrativos Ltda. e Ziggy Participações Ltda.
Com mais de quinze anos de operação contínua, a Iggy acumula um histórico disciplinar limpo: sem registros de penalidades ou processos administrativos junto à CVM ou à ANBIMA, sendo signatária de três códigos de autorregulação da associação. Esse histórico é um diferencial relevante em um segmento onde conflitos de interesse e irregularidades não são incomuns. A estrutura de governança dos fundos se beneficia de parceiros robustos: a BRL Trust DTVM (parte do grupo Apex) atua como administradora e a Baker Tilly 4Partners como auditora — ambas de reputação consolidada no mercado brasileiro de fundos estruturados. O ponto de atenção mais recente é a ênfase de auditoria registrada pelo Baker Tilly 4Partners no XLPR11, apontando distribuição de rendimentos abaixo do mínimo legal de 95% do lucro em 2025, situação decorrente do portfólio herdado de gestão anterior e dos prejuízos realizados no processo de reestruturação.
O DNA da Iggy é crédito alternativo. O FIDC é o produto âncora da casa, respondendo pela maior parte do AUM, com a Salento sendo a principal referência. Nos fundos imobiliários, a gestora administra três veículos: XLPR11 (ex-RRCI11, antigo RB Capital Recebíveis Imobiliários), ONDV11 (Onda Multiestratégia) e TZDK11. O XLPR11 é o único presente no sistema de análise do site e funciona hoje como o principal laboratório público da tese de gestão ativa da Iggy no segmento de FIIs.
A transição de gestão do XLPR11 ocorreu em novembro de 2025, após processo formal de consulta aprovado por cotistas — iniciativa que partiu dos próprios cotistas (10,43% das cotas), sinal de insatisfação acumulada com a RB Asset e não de manobra corporativa. A Iggy entrou com uma proposta de taxa mais competitiva: 0,50% ao ano sobre valor de mercado (mínimo de R$ 5 mil/mês), eliminando completamente a taxa de performance que era de 20% sobre o que excedesse benchmark — uma redução substancial de custo para o cotista. O mandato foi ampliado para permitir até 100% do PL alocado em cotas de outros FIIs, convertendo o fundo em um FoF com liberdade de alocação ampla.
As primeiras decisões de portfólio foram cirúrgicas na intenção, ainda que dolorosas: liquidação com prejuízo de CRIs problemáticos — incluindo exposições a GPA, ONM, Moura Debeux, Galleria e Canopus — para limpar o balanço e reposicionar o portfólio. Hoje o fundo carrega 59% em cotas de FIIs (TRUE11, VCRR11, CXRI11, EMET11), 29% em CRIs remanescentes (alguns ainda em estresse, como Convisa com 0% de PU par) e 12% em caixa.
A Iggy Investimentos faz sentido para o investidor que busca exposição a gestão ativa e independente em ativos alternativos, com disposição para tolerar volatilidade e assimetrias de prazo. No caso específico do XLPR11, o perfil adequado é o de quem acredita em reversão à média em FIIs descontados e aceita um horizonte de 18 a 36 meses para que a reestruturação do portfólio produza resultados visíveis. O fundo não é adequado para quem depende de renda passiva estável no curto prazo — a ênfase de auditoria e os CRIs remanescentes em estresse indicam que a distribuição de rendimentos pode seguir irregular enquanto o portfólio se reorganiza.
O que vigiar: evolução do P/VP e DY nos próximos relatórios gerenciais, resolução dos CRIs em estresse (especialmente Convisa), e se a concentração em TRUE11 será reduzida à medida que o mercado de FIIs se normalizar. A gestora merece acompanhamento — mas ainda não validação plena.
Segmentos de atuação: Híbrido (FIIs + CRI High Yield)